Um dia memorável. Talvez não completamente histórico e futuramente acrescentado à linha do tempo brasileira, mediante inúmeros outros movimentos que têm ocorrido nas grandes capitais. Entretanto, tratando-se do interior carioca, mais precisadamente a Região dos Lagos e sua passagem absurda de R$4, ousaria sim citar que este é um ato histórico - ao menos para quem, como eu, participou.
No presente momento, minha rouquidão atrapalha qualquer tentativa de transformar a realidade em conto, fazendo com que eu optasse - novamente - em escrever, principalmente por lembrar-me de momentos em que, ao fechar os olhos, eu me imaginava em um universo paralelo, como se invadisse sonhos antigos, cujo tema principal seria a política! Senti-me acordando para a realidade.
Enfim...
Enfim...
Cai de gaiato nesta história. Venho acompanhando pela internet todo e qualquer movimento contra toda a sujeira ocorrida em nossa "pátria amada". Principalmente por abranger causas que, eu particularmente, sempre apoiei e defendi. Porém hoje sou uma mulher com compromissos profissionais e particulares, impossibilitando minha participação... Não exatamente!
O local escolhido era trajeto para um destes compromissos e ao deparar-me com a situação, senti na pele que eu estava no local certo, na hora certa. Então não hesitei em ficar, aliás, eu imaginava que esta seria minha escolha e não arrependo-me. Vesti o rosto com a bandeira em tintas verde e amarela, arrumei um apito como se fosse possível poupar a garganta e deixei o hino nacional sair do coração. Nunca me considerei patriota. Eu inclusive - amante do futebol - torço para seleções como Inglaterra e Alemanha na Copa do Mundo, a case do meu celular, por exemplo, é da bandeira da Inglaterra. Sonho, desde o início da adolescência com Londres e o famoso museu de cera Madame Tussauds. Mas deixei o hino me arrepiar com a interpretação maravilhosa que poucos conterrâneos conseguem ter.
Senti-me novata. Nunca havia protestado, sempre falei, falei e não havia feito de fato. Haviam muitos rostos que, como o meu, nunca tinham sido pintados. Um povo acoado, pobre, inclusive de espírito - engano meu. Apesar de poucos saberem o motivo que os levou até ali, gritando, chamando vizinhos com "Vem, vem pra rua, vem!", vi que motivo de verdade era o que não faltava. Inclusive o de badernar.
Vou usar uma palavra que virou gíria na última semana: Pacífico. Foi assim que o manifesto começou. Sentamos no meio da rua, a maioria vestida de branco, em frente ao terminal rodoviário de Cabo Frio. Ao fundo, tínhamos a bandeira do Brasil estirada, indo conforme ao vento, lá no alto do Morro da Guia. Um carro de som à nossa frente, com vozes de jovens (universitários ou não) relembrava-nos o motivo de estar ali, a causa e nós, a consequência.
Entretanto, uma dessas vozes foi infeliz ao separar o grupo que caminhara juntos. Uma parte seguiu até a praia - sabe-se lá porquê - enquanto eu e outras centenas, fomos em direção ao portão da Salineira (Empresa que monopoliza o transporte "público" da Região). Sentamos, levantamos, sentamos outras vezes e depois de muito papo, disseram que fariam uma reunião pública no dia seguinte. No momento, era o que queríamos ouvir, mas não era o suficiente... Puta que pariu, é a passagem mais cara do Brasil!!
Ao retornar para a Praça Porto Rocha, vi um grupo enorme fechando uma das pequenas pontes que fazem a ligação intermunicipal em Cabo Frio. Haviam inúmeras pessoas sentadas e com voz ativa lá. Próximo onde eu estava, só se ouvia "Ora que vergonha, a passagem mais cara que a maconha". Sorri pela criatividade. Umas três dúzias de policiais, em sua maioria mulheres, fez um corredor atrás de nós e um dos manifestantes entregou-lhe alguma flor. Parecia mais uma cena teatral seguida por um roteiro. Levantei-me e segui até a praça novamente.
Ao chegar lá, deparei-me com um ônibus que seguiria a Búzios, carregado de jovens (baderneiros e outros não), senhores, crianças e trabalhadores. Como as saídas estavam fechadas, queríamos que o ônibus voltasse e devolvesse o dinheiro aos seus passageiros, inclusive a pedimos dos próprios que pediam para descer. O ônibus deu ré e, enquanto dávamos nosso rosto à tapa simulando o empurro deste, haviam funcionários da empresa e outros filmando nossos rostos. Alguns policiais chegaram e nos apoiaram, porém de repente um tranco se deu e o ônibus começou a ir bem rápido. Uma policial próxima a mim caiu. Uma única voz pedia "Sem violência". Uma passageira sentiu-se mal e precisou ser carregada. A coisa fugiu do controle e eu preferi sair de perto.
Antes da confusão tomar conta, um PM, cuja placa continha o nome Francisco, mostrou o lado da Polícia Militar e poucos retratam. Com muita transparência e serenidade, ele nos lembrou que também é cidadão e que estava do nosso lado. Nos pediu calma, além de nos elogiar pelo manifesto bonito. Pediu que tirássemos qualquer coisa que cobrisse o rosto, inclusive para nossa própria segurança.
Depois de ver o ônibus com passageiros incluindo crianças e idosos ser apedrejado e pichado. Eu apoiei a polícia e fechei os olhos consentindo que ela fizesse o que deveria ser feito. Não sei quando ao senhor atropelado minutos antes ou depois na ponte, nem quanto ao pichador que "teve seus dedos quebrados". Ficou apenas no disse-me-disse, porque ver, eu não vi.
Cheguei à conclusão de que a população litorânea não sabe se manifestar, de forma pacífica ou não. Somos conhecidos pelas praias, pelo Carnaval - tal como todo acontece com todo o país -, mas aqui é onde o próprio brasileiro passa as férias e, muitos filhos desta terra, Cabo Frio, Arraial, São Pedro e afins, infelizmente só conhecem de fora o que a Globo quer mostrar. Muitos interioranos vivem do que o turismo traz em alta temporada e não se "importam" em passar o resto dos dias trabalhando em comércio. Somos um plágio mal feito da cidade grande. Cabo Frio e Búzios são exemplos disso. Puro plágio. "A cidade para o cidadão"? Não mesmo. É para os turistas! Copiamos os cartazes de manifestos que ocorreram pelo Brasil, até os gritos, mesmo que simbolizassem uma única voz. Mas de que adianta cantar do orgulho de ser brasileiro na atual circunstância. Não sou patriota, já disse. Mas senti orgulho ao bater no peito para cantar pelo meu país, sentiria mais orgulho ainda se todos soubessem, no mínimo, cantar nosso hino e não ficar na dúvida entre "sonho intenso" e "amor eterno".
Ainda precisei ouvir, dias depois, "Cara, pra quê você foi? Isso não vai dar em nada! Sem contar que você estuda Educação Física. Ir nestes protestos não vai te acrescentar em nada".
Preciso rever se é isto que eu quero realmente para o meu futuro: Não me acrescentar em nada!
Vou usar uma palavra que virou gíria na última semana: Pacífico. Foi assim que o manifesto começou. Sentamos no meio da rua, a maioria vestida de branco, em frente ao terminal rodoviário de Cabo Frio. Ao fundo, tínhamos a bandeira do Brasil estirada, indo conforme ao vento, lá no alto do Morro da Guia. Um carro de som à nossa frente, com vozes de jovens (universitários ou não) relembrava-nos o motivo de estar ali, a causa e nós, a consequência.
Entretanto, uma dessas vozes foi infeliz ao separar o grupo que caminhara juntos. Uma parte seguiu até a praia - sabe-se lá porquê - enquanto eu e outras centenas, fomos em direção ao portão da Salineira (Empresa que monopoliza o transporte "público" da Região). Sentamos, levantamos, sentamos outras vezes e depois de muito papo, disseram que fariam uma reunião pública no dia seguinte. No momento, era o que queríamos ouvir, mas não era o suficiente... Puta que pariu, é a passagem mais cara do Brasil!!
Ao retornar para a Praça Porto Rocha, vi um grupo enorme fechando uma das pequenas pontes que fazem a ligação intermunicipal em Cabo Frio. Haviam inúmeras pessoas sentadas e com voz ativa lá. Próximo onde eu estava, só se ouvia "Ora que vergonha, a passagem mais cara que a maconha". Sorri pela criatividade. Umas três dúzias de policiais, em sua maioria mulheres, fez um corredor atrás de nós e um dos manifestantes entregou-lhe alguma flor. Parecia mais uma cena teatral seguida por um roteiro. Levantei-me e segui até a praça novamente.
Ao chegar lá, deparei-me com um ônibus que seguiria a Búzios, carregado de jovens (baderneiros e outros não), senhores, crianças e trabalhadores. Como as saídas estavam fechadas, queríamos que o ônibus voltasse e devolvesse o dinheiro aos seus passageiros, inclusive a pedimos dos próprios que pediam para descer. O ônibus deu ré e, enquanto dávamos nosso rosto à tapa simulando o empurro deste, haviam funcionários da empresa e outros filmando nossos rostos. Alguns policiais chegaram e nos apoiaram, porém de repente um tranco se deu e o ônibus começou a ir bem rápido. Uma policial próxima a mim caiu. Uma única voz pedia "Sem violência". Uma passageira sentiu-se mal e precisou ser carregada. A coisa fugiu do controle e eu preferi sair de perto.
Antes da confusão tomar conta, um PM, cuja placa continha o nome Francisco, mostrou o lado da Polícia Militar e poucos retratam. Com muita transparência e serenidade, ele nos lembrou que também é cidadão e que estava do nosso lado. Nos pediu calma, além de nos elogiar pelo manifesto bonito. Pediu que tirássemos qualquer coisa que cobrisse o rosto, inclusive para nossa própria segurança.
Depois de ver o ônibus com passageiros incluindo crianças e idosos ser apedrejado e pichado. Eu apoiei a polícia e fechei os olhos consentindo que ela fizesse o que deveria ser feito. Não sei quando ao senhor atropelado minutos antes ou depois na ponte, nem quanto ao pichador que "teve seus dedos quebrados". Ficou apenas no disse-me-disse, porque ver, eu não vi.
Cheguei à conclusão de que a população litorânea não sabe se manifestar, de forma pacífica ou não. Somos conhecidos pelas praias, pelo Carnaval - tal como todo acontece com todo o país -, mas aqui é onde o próprio brasileiro passa as férias e, muitos filhos desta terra, Cabo Frio, Arraial, São Pedro e afins, infelizmente só conhecem de fora o que a Globo quer mostrar. Muitos interioranos vivem do que o turismo traz em alta temporada e não se "importam" em passar o resto dos dias trabalhando em comércio. Somos um plágio mal feito da cidade grande. Cabo Frio e Búzios são exemplos disso. Puro plágio. "A cidade para o cidadão"? Não mesmo. É para os turistas! Copiamos os cartazes de manifestos que ocorreram pelo Brasil, até os gritos, mesmo que simbolizassem uma única voz. Mas de que adianta cantar do orgulho de ser brasileiro na atual circunstância. Não sou patriota, já disse. Mas senti orgulho ao bater no peito para cantar pelo meu país, sentiria mais orgulho ainda se todos soubessem, no mínimo, cantar nosso hino e não ficar na dúvida entre "sonho intenso" e "amor eterno".
Ainda precisei ouvir, dias depois, "Cara, pra quê você foi? Isso não vai dar em nada! Sem contar que você estuda Educação Física. Ir nestes protestos não vai te acrescentar em nada".
Preciso rever se é isto que eu quero realmente para o meu futuro: Não me acrescentar em nada!

Carioca, canceriana e vascaína. Em seus 22 anos de vida pouca coisa mudou. Quando nada parece dar certo, recorre à dança ou seus fones de ouvido buscando relaxar e talvez isso a tenha levado até a Educação Física onde, neste semestre, apresentará a monografia. Talvez esteja causando-lhe ansiedade múltipla, talvez seja o medo de não ter pra onde correr, porque sim, cara amiga, você está crescendo e, obrigatoriamente, amadurecendo. Suas crises repentinas de baixa auto estima a presentearam com o desejo incansável de fotografar e assim ela o faz tentando reproduzir tudo o que seus olhos enxergam por aí. Escrever em meio disso tudo é um hobby que ela não pensa em abandonar, jamais.
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