É fácil ouvir o barulho de um vento criado para abafar teu calor. Ele ecoa sozinho pela sala vazia de dois corpos presentes pelo acaso. Parece que o silêncio pede licença, querendo nos deixar um pouco a sós.
Nunca me imaginaria ali se não fosse com você. Aliás, nunca imaginei você, alguém como você. Um oposto tão parecido comigo que poderia confundir-se com um reflexo. Contudo, sinto lá no fundo que tudo isso é muito para o que eu tenho me tornado. Muito pelo fato de te olhar e imaginar o porquê de ser eu ali, naquela sala contigo.
Carioca, canceriana e vascaína. Em seus 22 anos de vida pouca coisa mudou. Quando nada parece dar certo, recorre à dança ou seus fones de ouvido buscando relaxar e talvez isso a tenha levado até a Educação Física onde, neste semestre, apresentará a monografia. Talvez esteja causando-lhe ansiedade múltipla, talvez seja o medo de não ter pra onde correr, porque sim, cara amiga, você está crescendo e, obrigatoriamente, amadurecendo. Suas crises repentinas de baixa auto estima a presentearam com o desejo incansável de fotografar e assim ela o faz tentando reproduzir tudo o que seus olhos enxergam por aí. Escrever em meio disso tudo é um hobby que ela não pensa em abandonar, jamais.