É fácil ouvir o barulho de um vento criado para abafar teu calor. Ele ecoa sozinho pela sala vazia de dois corpos presentes pelo acaso. Parece que o silêncio pede licença, querendo nos deixar um pouco a sós.
Nunca me imaginaria ali se não fosse com você. Aliás, nunca imaginei você, alguém como você. Um oposto tão parecido comigo que poderia confundir-se com um reflexo. Contudo, sinto lá no fundo que tudo isso é muito para o que eu tenho me tornado. Muito pelo fato de te olhar e imaginar o porquê de ser eu ali, naquela sala contigo.
Deixo-me envolver pelos teus braços e mãos, enquanto um novo som a ecoar, com uma melodia gostosa, prende meu olhar à sua respiração, que acelera como quem pedisse um beijo.
Seus dedos entrelaçam meu cabelos e por debaixo deles meu pensamento se questiona quanto ao porquê de você não sair mais de lá. Corto qualquer tipo de discussão comigo mesma com um sorriso afagando sua tentativa de juntar-se à mim. E por um estalo me dou conta de que não podemos estar sozinhos, mas e daí?
Teus olhos juntamente de seu olhar parecem me acompanhar cada vez que o evito e quando a cena retorna em minha imaginação, você a traz para a realidade como quem pudesse ler meus pensamentos, outra vez.
Certa vez, lembro-me de me pedir para te olhar nos olhos e a partir daí eu me envolver acreditando que não daria em mais nada. Tento não cair na mesma armadilha toda vez que te vejo, porém parece cada vez mais inevitável e perco-me no caminho que teu lábio me envolve até chegar ao meu, enquanto do lado de fora há um passado que outrora parecia nos impossibilitar de qualquer coisa. E o deixamos para trás sem a pretensão de recomeçar.
E agora?
Carioca, canceriana e vascaína. Em seus 22 anos de vida pouca coisa mudou. Quando nada parece dar certo, recorre à dança ou seus fones de ouvido buscando relaxar e talvez isso a tenha levado até a Educação Física onde, neste semestre, apresentará a monografia. Talvez esteja causando-lhe ansiedade múltipla, talvez seja o medo de não ter pra onde correr, porque sim, cara amiga, você está crescendo e, obrigatoriamente, amadurecendo. Suas crises repentinas de baixa auto estima a presentearam com o desejo incansável de fotografar e assim ela o faz tentando reproduzir tudo o que seus olhos enxergam por aí. Escrever em meio disso tudo é um hobby que ela não pensa em abandonar, jamais.
Nenhum comentário:
Postar um comentário