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| De que adianta ter 21? |
Recentemente completei 21 anos. Não sei pra quê. Ainda moro com meus pais e torno-me obrigada a seguir regras que, além de não saber o sentido, não auxiliam em nada na minha formação.
Tive uma adolescência sem muita história para contar. Saía às 19h para festas que começam às 21h e tinha que voltar às 22h. Pagava para nunca entrar. Ia a shows para nunca assistir. Dormi pouquíssimas vezes em casas de amigas, porque simplesmente eles não me deixavam. E quando deixava, eu tinha que tá em casa muito antes do almoço.
Meu primeiro namorado foi aos 14 e se for olhar as postagens mais antigas aqui do blog, verão o dilema que foi esse tal de "primeiro amor". A virgindade se foi com ele e minha vida virou um inferno, afinal, mulher não pode perder o cabaço por aí que se torna vulgar, inclusive em pleno século XXI.
Com um pai militar, vulgo machista, um tapa na cara teria caído melhor do que os pronomes utilizados nos anos a seguir, tal como vadia, piranha e galinha. Mas os últimos três anos fizeram com que parecesse que esse teatro estaria no fim.
Namorei um rapaz bacana, pensei inclusive em construir um futuro, porém não deu certo. Cresci muito com o relacionamento em diversas questões. Nesse meio tempo completei a maioridade num sábado e na segunda-feira já estava trabalhando. Pouco mais de um mês depois, meu pai se propôs a pagar uma faculdade. Precisei sair do emprego de meio-período e dediquei-me àquele semestre. Fui uma das melhores calouras, vale ressaltar.
No final do ano e consequentemente final de período, ao nos aprontar para compras de Natal, esperávamos por esse namorado da época e, sabe-se lá porquê, discuti - mais uma vez - com meu pai. A briga foi tão feia que na semana seguinte ele trancou minha faculdade.
O primeiro semestre de 2011 foi uma luta. Em fevereiro arrumei meu primeiro emprego de carteira assinada em uma loja como assistente de vendas. O salário era mínimo e na época juntei um pouco pensando em voltar a estudar. Em abril do mesmo ano, após muuuuuito sufoco, arrumei um emprego na própria universidade. Em julho reabri minha matrícula e em agosto fui demitida após 8 dias de atestado por tendinite - que até hoje sou refém. Consegui manter o desconto de funcionária por mais um semestre e me mantive com o dinheiro da demissão até novembro, quando voltei para a loja, como vendedora, na época do Natal. Trabalho duro, cansativo. Almoçava sentava no chão, encostada em caixas de papelão, dividindo um micro espaço com umas 30 pessoas, a maioria eu nunca tinha visto e as baratinhas eram fiéis companheiras.
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| Comércio nunca mais! |
Emendei esta etapa com meu terceiro emprego de carteira assinada como Call Center na rede de prestação de serviços de água e esgoto da minha cidade. Para quem já tinha tendinite, imagina a delícia que é ficar de frente ao computador ouvindo desaforo e digitando sobre este mesmo desaforo por seis horas seguidas. Domingo de Carnaval? Isso não te pertence mais. Trabalhar um dia até às 22h e no dia seguinte estar às 7h virou rotina em feriados/fins de semana. - Era pra ficar seis meses como contratada de uma terceirizada da empresa, para depois tornar-se efetiva e aí sim esperar um ano para tentar as férias e tudo mais. Mas a pressão me explodiu. Já vinha cansada de emendar uma coisa na outra. Quando não estava trabalhando de carteira assinada, arrumava uns bicos fotográficos, como por exemplo, seis horas em pé direto, sem comer para fotografar eventos e blablabla. Não me arrependo de nada! Faria tudo outra vez se fosse preciso... Faria sim, porque valorizei cada centavinho que recebi em tudo que me dediquei a fazer. Enfim, o call center é estressante. No meu caso, estudava de manhã, ia pra casa, tomava banho e almoçava e saía correndo num ônibus cheio para em 10 minutos chegar no trabalho. O uniforme era feio e aí me instigava a arrumar-me mais afim de alegrar minha própria auto-estima. Agora imagine você chegar toda saltitante no seu local de trabalho e atender um cliente que, com razão, reclama por motivos óbvios e enquanto você - sim - tenta ajudar, ele te chama de filha da puta, vadia, "mija aí sua vagabunda, porque eu quero água na minha casa hoje!!", "me dá seu endereço agora sua vadiazinha, porque eu vou na sua casa roubar água", "Ahh, onde tá escrito que meu abastecimento tem que ser por manobra? Então se eu for aí e te esquartejar é permitido também?"... Era demais pra mim.
| Meu retorno à faculdade, um semestre atrasada risos. |
Consegui fazer o FIES para continuar a faculdade e apesar de ganhar muito mal, eu tinha meu vale alimentação que dava pra fazer umas compras de mês legal aqui pra casa. Nessa época meu pai até "me amava". Passei a ter uma relação boa com ele. Eu comecei a saber o que é chegar em casa 3h ou até viajar com o namorado. Foi aí que minha mãe, que sempre foi muito aberta a conversas, deu a opção de procurar um estágio remunerado na minha área, uma vez que eu não iria mais ter a mensalidade da faculdade para bancar - devido o FIES. - Ah sim, o FIES também foi um problema, porque (adivinhem) meu pai não me apoiou. Ele nunca me apoiou em nada. Não porque ele não acredita em mim, mas porque ele não quer assumir que eu sou sim capaz e, como sempre fui muito insegura, deixei-me guiar pela imbecilidade de um pai que não quer ver o crescimento pessoal e profissional de sua primogênita.
Voltando... Novamente emendei um emprego no outro e após uma mensagem por facebook eu arrumei estágio na melhor academia feminina do Brasil. Sim, não é exagero. Aprendi muito, colhi bons frutos, porém o gasto com despesas estava sendo maior que o retorno financeiro que um estudante de Educação Física tem em estágio remunerado. Tive a oportunidade de vir para um local mais próximo de casa onde estou desde setembro do ano passado. Aprendi ainda mais, fiz amizades incríveis e venho me encontrando tanto profissional quanto pessoalmente a partir destas descobertas.
Previsivelmente, meu namoro terminou após uns meses na nova academia mista. Poderia citar alguns milhares de motivos, mas hoje prefiro dizer - a verdade - que o amor simplesmente acabou, mas o respeito não e por isto preferi manter o que ainda restou.
Junto com este outro namoro foi toda e qualquer credibilidade, confiança e afins que meu pai depositara em mim nestes quase três anos...
E aí vou deixar o meu desabafo para a publicação seguinte.
Aproveitei este agora para lidar com os fatos. Depois virei com meus argumentos. E por fim, espero conseguir livrar-me desta dor de cabeça e desabafar um pouco, antes que ele me proíba de usar isto aqui também.


Carioca, canceriana e vascaína. Em seus 22 anos de vida pouca coisa mudou. Quando nada parece dar certo, recorre à dança ou seus fones de ouvido buscando relaxar e talvez isso a tenha levado até a Educação Física onde, neste semestre, apresentará a monografia. Talvez esteja causando-lhe ansiedade múltipla, talvez seja o medo de não ter pra onde correr, porque sim, cara amiga, você está crescendo e, obrigatoriamente, amadurecendo. Suas crises repentinas de baixa auto estima a presentearam com o desejo incansável de fotografar e assim ela o faz tentando reproduzir tudo o que seus olhos enxergam por aí. Escrever em meio disso tudo é um hobby que ela não pensa em abandonar, jamais.
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